Eu já ouvi falar muito de homens que brigam por amor, triângulos amorosos, amigos de infância ou mesmo irmãos que se matam por mulheres de seios fartos, daqueles difíceis de um homem ignorar. Mas o contrário nunca tinha me ocorrido, eu diria até que nem nossos hermanos mexicanos mais talentosos e criativos seriam capazes de bolar uma novela com uma trama tão inesperada como a que aconteceu com um pacato camarada meu. Ele meio que dividia o pão com a turma, se é que vocês entendem.

Tranqüila cidade do interior, festinha na casa da turma. Lá pelas altas horas da noite um ser acanhado se apaixona por uma linda garota (gostosa) dos cabelos lisos e bundinha arrebitada. Aquela clássica cena Hollywoodiana: olhares se cruzam, a menina ajeita os peitos, o menino puxa respiração, ensaia um primeiro passo e chega até ela:

– Ah… Oi… é.. Que horas são?

A menina vira para ele e dá, como já dizia meu amigo sharoleiz, o típico golpe do tamanduá: com um dos braços estendidos, puxa o alvo pelo pescoço e lasca um beijo “caliente”. Essas meninas de hoje em dia são “muito pra frente” já diria o tiozinho que entrega marmita aqui pra firma.

Os dois ficam algumas horas naquele amasso tipicamente latino até que um oportunista amigo chega.

– Ô cara, posso dar um “selinho” na sua namorada?

A menina solta um “oh” e olha assustada para seu novo parceiro, que responde.

– Ah.. Claro.

FAIL

A menina difere um outro golpe do tamanduá. Só que dessa vez foi no “amigo”

Alguns passos mais à frente, um ser muito bêbado corre desesperado por toda a casa.

– Minhas mãos, minhas mãos!

Ele pára de correr quando chega numa mesa de truco, onde uma das participantes era por acaso a dona da casa.

– Que aconteceu cara?

– Minhas mãos! Não consigo abri-las!

Ele mostra as mãos fechadas comprovando a veracidade dos fatos. Para o desespero da dona da casa.

– Ave Maria! Peraí, vou tentar abrir uma.

Parecia não importar a força, a mão continuava fechada. Quando conseguia distorcê-la logo ela voltava a se fechar. A menina então sai correndo desesperada.

– Tem um cara morrendo na minha casa e eu não sei o que fazer! Eu não posso me responsabilizar, meu pai me mata!

Enquanto a menina corria de um lado, o menino corria para o outro. Não sei o que aconteceu com ela, mas ele acabou acordando no outro dia no quintal da casa, mais especificamente na casinha do cachorro…

…Com as mãos abertas.