Hoje, na hora do “recreio”, eu estava conversando com um colega do mestrado que me deu uma idéia para uma historinha de um paragrafo,  sai do mestrado e fui escrever.

Conforme eu escrevia a histórinha ela acabou virando uma bolinha de idéias daquelas que deslizam pela neve e vão aumentando, foi aí que vi que a coisa teria alguns capítulos.

Eu fiz só esse primeiro, tenho uma idéia minima de como ela irá terminar, vamos escrever e ver o que vira. Espero que gostem! Se gostarem, pleaseee digam!

O Mito dos Deitados Polares – Capítulo 01


E João volta sem uma das pernas, e pior, não foi. Como alguém volta sem nem ter ido?

– Porra! É muito botão pra apertar! Estamos em pleno século XXXII e vocês não conseguem bolar uma coisa mais simples não. Aloô! Ninguém ouviu falar em interface não? é coisa que a gente escuta na segunda série!

Tá! Tudo bem, eu sei que uma máquina do tempo é coisa difícil de se fazer mas porra, to sem uma perna! Tá, quem é o responsável por reestruturação molecular?

Alcides, um homem de cinqüenta e poucos anos, jaleco daqueles que todo mundo fala que é de médico veterinário mas ele insiste em dizer que é de cientista, e dos mais malucos, chegou até João com a paciência da minha avó, levou-o até a máquina reconstrutora de tecidos moleculares, apertou alguns botões e disse.

– Sua perna foi parar em dois mil e cinqüenta e seis, acredito que é para lá que você tem que ir, é para lá que vamos descobrir o famoso mito dos Deitados Polares! Muahahahaha!!

– Sem risadas maléficas doc, até porque não temos nada de maléfico nisso. Na verdade, isso é uma verdadeira revolução científica, ambiental, antropológica e cultural! Deus, vamos mudar o mundo.

– Para sempre, sim, sim. Mas agora senta aí que eu vou te repassar a ordem dos botões, você percebeu que errou pela terceira vez em apertar o botão número 108 da seqüência? Menino, você tem uma memória muita fraca viu!

João sentou na cadeira furreba que Alcides insistiu em colocar na máquina do tempo, disse que a universidade estava cortando gastos e já que ninguém estava acreditando que aquela máquina de lavar roupa poderia levar alguém além das paredes da universidade, começou a cortar os gastos primeiro naquela repartição. Alcides que não era bobo resolveu começar pela cadeira que João usava. “Ah, não sou eu que sento na cadeira mesmo”. A verdade é que viajar naquela coisa era pior do que ser lavado dentro dela. E pode acreditar, uma cadeira desconfortável aumentam muito as chances de se ter um torcicolo de cunho grave no pescoço.

Era triste por um lado, aqueles homens tinham muita fé no que estavam fazendo. Depois que as calotas polares derreteram e a terra começou a cuspir lavas novamente o clima ficou meio tenso, os desertos aumentaram e os mendigos que cuidavam de carros se tornaram metade da população mundial com renda acima dos R$2,00 diários .

Contava a história, um mito esquecido e redescoberto pelo estagiário vesgo da repartição de João e Alcides, o mito dos Deitados Polares. Pouco se sabe sobre isso, mas acredita-se que pode ser a chave para refrigerar novamente o mundo, já que o material que faziam ar condicionados havia acabado há 430 anos e o pessoal estava começando a ficar grilado.

Um passarinho pula de galho em galho tentando se acasalar com a passarinha, um pouco mais longe dali  dois meninos sacanas miravam com o estilingue nas bolas do bichinho. O ano agora é 2053 d.c.

Mais que repente uma maquina de lavar roupas cai em cima das duas crianças, que não morrem, mas provavelmente perdem permanentemente o movimento dos membros superiores. Já dizia minha avó, isso que dá atirar em passarinhos.

De dentro da máquina um homem de aproximadamente 23 anos, olhos escuros e óculos sai tropeçando, coloca a mão na nuca e fala.

– Ai meu pescoço

João olhou em volta, tudo era muito estranho. Olhou para o lado, haviam duas crianças necessitando de primeiros socorros, João continua a olhar para o ambiente, olha pra baixo, mais precisamente para os seus pés:

– Porra, minha perna!

Exatamente a 11 séculos, 43 anos, 2 meses, 4 dias, 5 horas e 12 minutos depois, um maluco de jaleco fala.

– Porra, a perna do cara aqui.

CONTINUA