Conheci o Zé no Exército, mais especificamente na cozinha da sétima brigada da Federação que ficava ao norte da Coréia do Sul, em Gangwon-do.

Gangwon-do, Norte da Coréia do Sul

Gangwon-do, ficava ao Norte da Coréia do Sul

Lavamos muitos pratos pelo nosso país, mas enganam-se aqueles que dizem que nunca participamos de um combate armado, pois foi num momento desses que nossa amizade se consolidou.

Eram tempos difíceis, estávamos em guerra com metade do mundo. Quando a base foi invadida pela ofensiva norte-coreana, agüentamos 22 dias e 21 noites de dentro da dispensa da cozinha até que as tropas aliadas chegassem.

Um dos momentos mais complicados de nossa guerra. Eles tinham tanques

Um dos momentos mais complicados da batalha. Eles tinham tanques

Nossas únicas armas de defesa eram óleo de fritura e coquetéis molotov feitos à base álcool etílico. Fazíamos um bom estrago, em poucos dias já tínhamos conseguido montar barreiras flamejante em volta da cozinha e destruir a comunicação deles.

Propagandas da época

Propagandas da época

Na madrugada do dia 22, nosso último dia de resistência, havia acabado o álcool etílico e nossas vidas estavam na difícil decisão de utilizar ou não as garrafas de rum para fazer mais molotov.

Á beira do desespero, Zé se abraçou nas garrafas de rum e falou que morreria por seu ideal. Eu estava emocionado por isso, mas prezava pela nossa segurança. Por sorte as forças aliadas chegaram, salvando a mim, o Zé e as garrafas de rum.

Depois do épico dia que fomos salvos, recebemos informações que a guerra havia acabado fazia duas semanas, e só ali, onde os exércitos estavam sem comunicação, a batalha perdurava.

Depois da boa notícia, a Federação concedeu-nos férias numa ilha paradisíaca do pacífico Sul, e graças ao espírito de coragem e luta que o Zé sempre demonstrou no campo de batalha, rum não faltou nas nossas férias.